O refluxo gastroesofágico é uma condição bastante comum, que afeta milhões de pessoas e pode causar desconforto significativo no dia a dia.
A boa notícia é que a alimentação tem um papel essencial tanto no controle quanto na prevenção dos sintomas.
Neste artigo, você vai entender o que é a doença do refluxo gastroesofágico, quais alimentos evitar, como o horário das refeições interfere nos sintomas e quais mudanças simples no estilo de vida podem fazer diferença real no seu bem-estar.
Neste conteúdo, você vai ver:
- O que é a Doença do refluxo gastroesofágico?
- Alimentos que devem ser evitados
- Como o horário das refeições afeta o refluxo
- Mudanças no estilo de vida que ajudam no controle
Doença do refluxo gastroesofágico
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) ocorre quando o conteúdo ácido do estômago volta para o esôfago, causando sintomas como azia, queimação (pirose) e desconforto no peito. Quando não tratada, pode levar a complicações mais sérias.
O refluxo acontece porque o esfíncter esofágico inferior, músculo que separa o estômago do esôfago, não fecha adequadamente, permitindo que o ácido suba. Por isso, é comum que os sintomas piorem ao deitar, quando a gravidade não ajuda a manter o conteúdo do estômago no lugar.
Após as refeições, é normal que os sintomas de refluxo apareçam com mais intensidade, já que o aumento do volume e da acidez no estômago pode reduzir a eficiência do esfíncter esofágico.
Os fatores que contribuem para o refluxo incluem:
Ganhar peso, consumir alimentos gordurosos, bebidas cafeinadas ou gaseificadas, ingerir álcool e fumar estão entre as principais causas do refluxo.
Alguns medicamentos também podem favorecer o problema, como anti-inflamatórios (ibuprofeno e aspirina), benzodiazepínicos (diazepam e alprazolam) e bloqueadores de canais de cálcio usados no tratamento da hipertensão (nifedipina e anlodipino).
A azia é o sintoma mais característico, mas também podem ocorrer regurgitação, dor de garganta, rouquidão, tosse e até sensação de nó na garganta. Em casos mais graves, o refluxo pode atingir os pulmões, causando tosse persistente e chiado. A longo prazo, algumas pessoas desenvolvem dificuldade para engolir (disfagia).
O refluxo é um dos diagnósticos mais frequentes na gastroenterologia, afetando entre 12% e 20% da população brasileira.
O tratamento da DRGE tem como foco controlar os sintomas, cicatrizar possíveis lesões no esôfago e prevenir complicações.
Na maioria dos casos pacientes respondem bem ao tratamento, a melhora ocorre com a combinação de mudanças no estilo de vida e o uso de medicamentos inibidores da secreção ácida, sempre com orientação médica.
Entre os medicamentos indicados estão:
- Inibidores da bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol)
- Antiácidos e sucralfato
- Alginato
- Bloqueadores dos receptores H2 da histamina (cimetidina, ranitidina)
- Procinéticos (metoclopramida, domperidona)
Atenção: o uso de medicamentos deve sempre ser prescrito por um médico. A automedicação pode causar efeitos colaterais e agravar o problema.
Em momentos de crise, pode ser necessário o uso de medicamentos de ação rápida, mas o acompanhamento regular é essencial para ajustar o tratamento e garantir resultados duradouros.
Leia também: 4 Chás para Refluxo: Como eles podem ajudar a aliviar os sintomas da doença
Alimentos que devem ser evitados
Certos alimentos e bebidas favorecem o refluxo e devem ser consumidos com cautela ou, de preferência, evitados.
Alimentos que aumentam o refluxo
Evite menta, hortelã, chocolate, café puro (especialmente expresso), chá mate, chá preto, refrigerantes à base de cola, água com gás, sucos e frutas cítricas como limão e laranja, além de molhos de tomate concentrados.
Alimentos picantes, como pimenta, também devem ser retirados da rotina.
Frutas ácidas
Além do limão e da laranja, frutas como acerola, abacaxi, morango e maracujá podem causar desconforto em algumas pessoas e dificultar a cicatrização da esofagite. Observe sempre sua tolerância individual.
Ingestão de líquidos
Evite ingerir líquidos durante as refeições, principalmente bebidas gaseificadas.
Alimentos gordurosos
Frituras e preparações ricas em gordura podem agravar os sintomas. Mesmo as gorduras boas, como abacate, azeite e castanhas, devem ser consumidas com moderação. A qualidade é importante, mas a quantidade também.
Álcool e fumo
O álcool e o tabagismo estão entre os principais agravantes do refluxo e devem ser evitados sempre que possível.

Como o horário das refeições afeta o refluxo?
O momento em que as refeições são feitas tem impacto direto na ocorrência dos sintomas da DRGE.
Alguns cuidados simples ajudam a reduzir bastante o desconforto:
- Evite fazer refeições grandes ou lanches pesados antes de deitar.
- Espere pelo menos 2 a 3 horas após comer antes de se deitar e 1 hora antes de praticar atividade física.
- Evite carregar peso ou realizar esforços intensos logo após comer.
- Mantenha intervalos regulares entre as refeições e prefira porções menores e mais frequentes. Isso reduz a pressão sobre o estômago e diminui as chances de refluxo.
Mudanças no estilo de vida que ajudam no controle
Além da alimentação, algumas mudanças simples no dia a dia podem contribuir muito para aliviar os sintomas do refluxo gastroesofágico:
- Controle do peso: o excesso de gordura abdominal aumenta a pressão no estômago, favorecendo o refluxo.
- Elevação da cabeceira da cama: dormir com a cabeceira levemente elevada ou usar travesseiro anti-refluxo ajuda a evitar o retorno do ácido durante a noite. Dormir de lado, preferencialmente sobre o lado esquerdo, também é benéfico.
- Gerenciamento do estresse: o estresse e a ansiedade podem intensificar os sintomas. Práticas como meditação, yoga e exercícios respiratórios ajudam a reduzir a tensão e melhorar o bem-estar.
Se os sintomas de refluxo gastroesofágico têm afetado sua rotina, buscar acompanhamento profissional é essencial.
Um plano nutricional personalizado pode ajudar a controlar os sintomas, restaurar o equilíbrio intestinal e melhorar sua qualidade de vida.
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Referências
Katz PO, Dunbar KB, Schnoll-Sussman FH, Greer KB, Yadlapati R, Spechler SJ. ACG Clinical Guideline for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease. Am J Gastroenterol. 2022 Jan 1;117(1):27-56. doi: 10.14309/ajg.0000000000001538. PMID: 34807007; PMCID: PMC8754510.
Manual MSD. Versão Saúde para a Família. Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). 2024.


