Intolerância à Lactose: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A intolerância à lactose é uma condição comum em que o corpo tem dificuldade para digerir lactose, um tipo de açúcar encontrado no leite e seus derivados. Os sintomas variam de leves a severos e podem surgir logo após o consumo de alimentos com lactose. Aqui, você encontrará informações detalhadas para entender melhor a intolerância à lactose, identificar seus sintomas e adotar estratégias eficazes para viver bem mesmo com essa condição.

  1. O que é e quais são as suas causas?
  2. Quais são os sintomas?
  3. Diagnóstico da Intolerância à Lactose: Como é feito?
  4. Mudanças no estilo de vida que ajudam no controle
  5. Como é realizado o tratamento?
  6. Lactase suplementar: alternativa para quem ainda quer ou consome lactose!

O que é e quais são as suas causas?

A intolerância à lactose ocorre quando o corpo tem dificuldade para digerir completamente a lactose, que é o açúcar presente no leite e em muitos derivados lácteos. 

A digestão da lactose depende de uma enzima chamada lactase, produzida no intestino delgado. Em pessoas com intolerância à lactose, há uma deficiência ou ausência dessa enzima. Sem lactase suficiente, a lactose não é quebrada adequadamente e chega ao intestino grosso intacta.

Em pessoas com intolerância à lactose, a lactose não digerida é fermentada pelas bactérias presentes no intestino grosso e esse processo gera gases (como hidrogênio e metano) e, além disso, a lactose age como um soluto osmótico, atraindo água para o intestino, o que contribui para sintomas como diarreia e inchaço abdominal.

Quais são os sintomas?

Os sintomas da intolerância à lactose podem variar em intensidade de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem:

  • Cólicas abdominais
  • Flatulência (gases)
  • Dor abdominal
  • Náuseas e, em alguns casos, vômitos
  • Diarreia osmótica (fezes líquidas ou moles)

Classificação

Você sabia que existem dois tipos principais de deficiência de lactase? Vamos entender melhor:

  • Deficiência Primária: Este tipo de deficiência é uma condição permanente e pode se manifestar de duas formas:
    • Forma congênita: É extremamente rara e ocorre quando a pessoa já nasce sem a capacidade de produzir lactase.
    • Não persistência de lactase do tipo adulto: Essa é a forma mais comum, afetando cerca de 75% da população mundial. Nessa condição, a produção de lactase começa a diminuir a partir dos 3 a 5 anos de idade. É um processo natural em muitos indivíduos, dependendo de fatores genéticos e culturais.
  • Deficiência Secundária: Diferente da forma primária, a deficiência secundária é geralmente temporária. Ela ocorre devido a danos na mucosa intestinal ou aumento do trânsito intestinal, que podem ser causados por:
    • Infecções gastrointestinais;
    • Doenças inflamatórias intestinais, como Doença de Crohn e doença celíaca; 
    • Uso de medicamentos ou tratamentos, como quimioterapia;
    • Outros fatores que afetam a saúde do intestino.

Na deficiência secundária, quando a condição primária é tratada a mesma desaparece, sendo que o paciente novamente tolera leite e derivados sem problemas.

Diagnóstico da Intolerância à Lactose: Como é Feito?

O diagnóstico da intolerância à lactose envolve diferentes abordagens que ajudam a identificar a relação entre o consumo de produtos lácteos e os sintomas apresentados. Se perceber que está com esses sintomas, sem realizar o exame, não é possível ter certeza se a lactose é a causa do problema. Veja os métodos mais utilizados:

  • Teste de Tolerância à Lactose:
    Nesse exame, o paciente ingere uma solução rica em lactose e os níveis de glicose no sangue são monitorados ao longo do tempo. É realizado a glicemia sérica de jejum e fornecido um dose alta de lactose ao paciente diluído em água. Deve-se mensurar os níveis de glicose plasmática em 30min, 60 min e 90 min.

Deve ser considerada a diferença entre a glicemia basal e o maior valor da glicose em qualquer momento da curva. No indivíduo intolerante, a diferença é menor que 20mg/dl.

Atenção: Em pessoas com deficiência de lactase, a glicose não se eleva de forma significativa, indicando que a lactose não foi adequadamente digerida e absorvida.

  • Teste do Hidrogênio Expirado:
    Esse é um dos métodos mais utilizados atualmente. Após a ingestão de lactose, a quantidade de hidrogênio no ar expirado é medida. A presença de altos níveis de hidrogênio indica fermentação da lactose pelas bactérias intestinais, sugerindo má digestão.

Em condições normais, espera-se que a lactose seja digerida no intestino delgado, com pouca ou nenhuma formação de hidrogênio. O hidrogênio expirado deve permanecer abaixo de 20 ppm.

Se o valor de hidrogênio aumentar em 20 ppm ou mais em relação ao valor basal, indica má absorção de lactose. Isso ocorre porque a lactose não digerida é fermentada por bactérias no intestino grosso, gerando hidrogênio, que é absorvido na corrente sanguínea e eliminado pelos pulmões.

  • Teste Genético:
    É coletada uma pequena amostra de sangue ou saliva para analisar o DNA do paciente. O objetivo é identificar se há uma mutação do gene MCM6 responsável pela manutenção da tolerância à lactose na vida adulta (polimorfismo LCT -13910 C/T).


Qual Método Escolher?

A escolha do exame depende de cada caso. Consulte um médico ou nutricionista para orientar qual o exame mais adequado.

Como é realizado o tratamento?

Se você tem intolerância à lactose, o primeiro passo para melhorar os sintomas é fazer ajustes na sua alimentação. No entanto, é importante lembrar que a exclusão total e definitiva da lactose nem sempre é necessária ou indicada. Isso porque a retirada completa de produtos lácteos pode levar à deficiência de nutrientes importantes, como cálcio, vitaminas e proteína. 

É possível trabalhar com a sua tolerância individual. Cada pessoa tem um nível diferente de tolerância à lactose. Por isso, é importante observar como seu corpo reage a pequenas quantidades de produtos lácteos. Muitos indivíduos conseguem consumir pequenas quantidades de lactose sem apresentar sintomas, especialmente se:

  • A lactose for consumida junto com as refeições, pois isso diminui os sintomas;
  • Os derivados lácteos forem sólidos ou semissólidos, pois o esvaziamento gástrico é mais lento que o de bebidas lácteas líquidas e o teor de lactose é baixo  

Passo a passo para melhorar os sintomas:

  1. Evitar temporariamente e de forma completa alimentos que contenham leite e derivados: após o diagnóstico retirar completamente todos derivados do leite pode ser necessário para reduzir os sintomas, como gases, inchaço e diarreia e observar se ocorre uma melhora completa dos sintomas.
  2. Reintroduzir gradualmente: Após a melhora dos sintomas, os alimentos lácteos podem ser reintroduzidos em pequenas quantidades, observando como o corpo reage
  3. Acompanhar sua tolerância: Mantenha um registro de quais alimentos você tolera melhor e em quais quantidades

Lembre-se: sempre que ajustar sua alimentação, é importante buscar o equilíbrio para garantir todos os nutrientes necessários. Procure o acompanhamento de um nutricionista, que pode ajudar você a criar um plano alimentar personalizado e seguro.

Para quem precisa adotar uma dieta sem lactose, é fundamental conhecer as opções seguras e saborosas que podem substituir os produtos lácteos tradicionais. Além disso, após um período de exclusão, alguns alimentos podem ser reintroduzidos gradualmente, dependendo da tolerância individual.

Alimentos permitidos em uma dieta sem lactose

Essas são opções que podem ser consumidas com segurança:

  • Bebidas vegetais: Soja, amêndoas, coco, castanhas, aveia, arroz e outras alternativas vegetais
  • Manteigas: Manteiga ghee, manteiga de coco e manteiga sem lactose
  • Iogurtes vegetais: Feitos à base de soja, coco ou outras alternativas sem lactose
  • Tofu e pasta de soja: Fontes vegetais ricas em proteína
  • Abacate: maravilhoso para passar no pão e fazer pastinhas
  • Cremes vegetais: Creme de soja, amêndoas, aveia e arroz podem ser usados em diversas receitas
  • “Queijos” veganos: Alternativas feitas à base de castanhas, tofu ou amidos
  • Sorvetes sem lactose: Feitos à base de leites vegetais, água ou bebidas vegetais
  • Leites, Iogurtes Queijos sem lactose: (ATENÇÃO) Produtos tradicionais adicionados de enzima lactase para fazer a digestão da lactose. Produtos sem lactose (lacfree) não são totalmente isentos de lactose, possuem uma quantidade residual pequena, mas a tolerância precisa ser observada, paciente muito intolerantes podem não ficar bem com esses produtos!

Após a exclusão inicial da lactose e uma melhora nos sintomas, alguns alimentos podem ser reintroduzidos gradualmente para testar a tolerância. Observe na tabela abaixo que queijos amarelos, por exemplo tem um teor bem baixo de lactose e podem ser tolerados pela maioria dos pacientes.

Tabela com teor de lactose nos alimentos, a tabela tem 3 colunas, sendo: nome do alimento, tamanho da porção e quantidade de lactose.

 

Dica Importante: Sempre faça a reintrodução de alimentos de forma gradual, observando possíveis sintomas. Se necessário, conte com a ajuda de um nutricionista para orientar esse processo e garantir que sua dieta continue equilibrada e nutritiva!

Ler os rótulos dos alimentos pode auxiliar no tratamento?
ATENÇÃO AOS RÓTULOS DOS ALIMENTOS! Se você tem intolerância à lactose é fundamental estar atento aos alimentos preparados que podem conter lactose, como bolos, tortas, pudins e outros. Além disso, aprender a ler e interpretar rótulos é essencial para identificar produtos industrializados sem lactose e fazer escolhas mais seguras para a sua dieta.

Lactase suplementar: alternativa para quem ainda quer ou consome lactose!

Sim, atualmente a suplementação com lactase exógena (β-galactosidase), obtida de leveduras ou fungos, é uma possível estratégia para quem apresenta deficiência de lactase.

  • Como funciona: A lactase exógena ajuda a quebrar a lactose presente nos alimentos, reduzindo os sintomas de intolerância
  • Modo de uso: Deve ser ingerida junto com refeições que contenham lactose
  • Formas disponíveis: Líquida, cápsulas, tabletes ou em pó

Atenção: Esses suplementos não conseguem hidrolisar completamente toda a lactose da dieta, e os resultados podem variar de pessoa para pessoa.

Importante: As lactases exógenas são suplementos alimentares, sem restrições de uso ou quantidade máxima. Consulte um nutricionista para ajustar o uso à sua rotina alimentar.

 

Se você está com algum dos sintomas de intolerância à lactose, é fundamental buscar orientação de um profissional especializado para investigar o seu caso.

Agende sua consulta para um acompanhamento nutricional personalizado.

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Referências
Jellema P, Schellevis FG, van der Windt DA, Kneepkens CM, van der Horst HE. Lactose malabsorption and intolerance: a systematic review on the diagnostic value of gastrointestinal symptoms and self-reported milk intolerance. QJM. 2010 Aug;103(8):555-72. doi: 10.1093/qjmed/hcq082. 

Vernia P, Marinaro V, Argnani F, Di Camillo M, Caprilli R. Self-reported milk intolerance in irritable bowel syndrome: what should we believe? Clin Nutr. 2004 Oct;23(5):996-1000. doi: 10.1016/j.clnu.2003.12.005.

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