A intolerância à lactose é uma condição bastante comum que ocorre quando o corpo tem dificuldade em digerir a lactose, o açúcar presente no leite e em seus derivados. Os sintomas variam em intensidade e podem surgir pouco tempo depois do consumo desses alimentos.
Neste conteúdo, você encontrará informações completas para entender o que é a intolerância à lactose, como identificar seus sintomas e o que fazer para adaptar sua alimentação sem abrir mão do prazer de comer bem.
Vamos abordar neste artigo:
- O que é intolerância à lactose
- Quais são as causas da intolerância à lactose
- Quais são os sintomas da intolerância à lactose
- Diagnóstico da intolerância à lactose
- Mudanças no estilo de vida que ajudam no controle
- Tratamento para intolerância à lactose
- Lactase suplementar como alternativa para quem ainda consome lactose
O que é intolerância à lactose e quais são as causas?
A intolerância à lactose acontece quando há deficiência ou ausência da enzima lactase, responsável por digerir esse açúcar no intestino delgado, fazendo com que o organismo não consiga processar completamente a lactose.
Quando a enzima não está presente em quantidade suficiente, a lactose chega ao intestino intacta, onde é fermentada por bactérias, produzindo gases como hidrogênio e metano. Além disso, esse processo aumenta a retenção de água no intestino, o que pode causar sintomas como inchaço abdominal, cólicas e diarreia.
Quais são os sintomas da intolerância à lactose?
Os sintomas da intolerância à lactose variam de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem:
- Cólicas e dor abdominal
- Gases e distensão
- Náuseas e, em alguns casos, vômitos
- Fezes líquidas ou moles (Diarreia osmótica)
Quais são os tipos principais de deficiência de lactase?
A deficiência de lactase pode ser dividida em dois grupos principais, que se diferenciam conforme a causa e o momento em que a produção da enzima é afetada.
Deficiência primária
Essa condição é de caráter permanente e está associada a alterações genéticas que reduzem ou impedem a produção da enzima ao longo da vida. Podemos separá-las de duas formas:
- A forma congênita é rara e ocorre quando a pessoa nasce sem capacidade de produzir lactase.
- Já a não persistência de lactase do tipo adulto é a forma mais comum, afetando cerca de 75% da população mundial. Nesses casos, a produção de lactase diminui naturalmente entre os 3 e 5 anos de idade, influenciada por fatores genéticos e culturais.
Deficiência secundária
É geralmente temporária e ocorre quando há danos na mucosa intestinal ou aumento do trânsito intestinal.
Pode estar relacionada a infecções gastrointestinais, doenças inflamatórias intestinais como a Doença de Crohn ou Doença Celíaca, uso de medicamentos ou tratamentos como quimioterapia.
Após o tratamento da causa principal, a tolerância à lactose pode ser recuperada.
Diagnóstico da intolerância à lactose
O diagnóstico é realizado por meio de exames que identificam a relação entre o consumo de produtos lácteos e o surgimento dos sintomas. Sem os testes adequados, não é possível confirmar se a lactose é de fato a causa do desconforto.
Teste de tolerância à lactose
Neste exame, o paciente ingere uma solução contendo lactose e os níveis de glicose no sangue são monitorados em intervalos de tempo. Quando há deficiência de lactase, a glicose não se eleva de forma significativa, indicando que a lactose não foi digerida corretamente e existe, então, intolerância à lactose.
Teste do hidrogênio expirado
É o método mais utilizado atualmente. Após a ingestão de lactose, mede-se a quantidade de hidrogênio no ar expirado. Um aumento significativo indica a fermentação da molécula pelas bactérias intestinais, o que confirma a má digestão.
Teste genético
A partir de uma amostra de sangue ou saliva, é possível identificar mutações no gene MCM6 responsável pela manutenção da tolerância à lactose na vida adulta (polimorfismo LCT -13910 C/T).
A escolha do exame depende de cada caso. A avaliação por um médico ou nutricionista especializado em doenças intestinais é essencial para definir o método mais adequado.
Mudanças no estilo de vida que ajudam no controle

Conviver com a intolerância à lactose exige atenção à alimentação e aos hábitos diários. Pequenas mudanças podem reduzir significativamente os sintomas.
Algumas pessoas toleram pequenas quantidades de lactose, especialmente quando consumida junto às refeições. Outras precisam restringir temporariamente todos os derivados do leite até que ocorra melhora dos sintomas.
É importante registrar quais alimentos provocam desconforto e em que quantidades. Com esse acompanhamento, é possível identificar o limite de tolerância individual e ajustar a dieta de forma segura.
Como é realizado o tratamento
O tratamento da intolerância à lactose envolve ajustes alimentares que variam conforme o grau de sensibilidade. A exclusão completa da lactose nem sempre é necessária, já que o leite e seus derivados são fontes de nutrientes importantes, como cálcio, proteína e vitaminas.
O foco deve ser o equilíbrio e o autoconhecimento alimentar. O acompanhamento profissional é essencial para garantir uma dieta completa e adaptada à tolerância individual.
Alimentos sem lactose que podem ser incluídos
- Bebidas vegetais à base de soja, amêndoas, aveia, coco, castanhas ou arroz
- Manteiga ghee, manteiga de coco e versões sem lactose
- Iogurtes vegetais e produtos à base de soja
- Tofu e pastas de leguminosas
- Abacate, cremes vegetais e “queijos” veganos feitos de castanhas ou amido
- Sorvetes produzidos com leites vegetais ou água
- Leites, queijos e iogurtes sem lactose

Produtos sem lactose não são totalmente isentos da substância, podendo conter pequenas quantidades residuais. A resposta varia conforme o grau de intolerância de cada pessoa.
Após o período inicial de exclusão, alguns alimentos podem ser reintroduzidos gradualmente, observando-se sempre a resposta do organismo. Queijos amarelos, por exemplo, contêm teores baixos de lactose e costumam ser bem aceitos.
Manter um diário alimentar e fazer a reintrodução com orientação de um nutricionista especializado é o melhor caminho para garantir equilíbrio e segurança nutricional.
Ler atentamente os rótulos é indispensável!
Muitos produtos industrializados contêm leite ou seus derivados, mesmo quando isso não é evidente. Verificar as informações do rótulo ajuda a prevenir desconfortos e a fazer escolhas mais seguras.
Lactase suplementar como alternativa para quem ainda consome lactose
A suplementação com lactase exógena, também chamada de β-galactosidase, pode ser uma estratégia útil para quem deseja continuar consumindo produtos com lactose. Essa enzima, obtida de leveduras ou fungos, auxilia na quebra da lactose e reduz os sintomas da intolerância à lactose.
Ela deve ser ingerida junto às refeições que contenham leite ou derivados. Está disponível em diferentes formas, como cápsulas, líquidos ou tabletes. No entanto, a eficiência pode variar conforme o indivíduo e a quantidade de lactose ingerida.
A lactase exógena é considerada um suplemento alimentar e não há dose máxima estabelecida. Mesmo assim, é recomendável o acompanhamento de um nutricionista para ajustar o uso de acordo com a rotina alimentar e o nível de intolerância.
Pessoas que apresentam sintomas de intolerância à lactose devem sempre buscar avaliação profissional. Um acompanhamento nutricional personalizado ajuda a identificar a tolerância individual, equilibrar a dieta e melhorar a qualidade de vida.
Quer ter um plano nutricional individualizado? Agende sua consulta e receba um plano alimentar adaptado às suas necessidades.
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Referências:
- Jellema P, Schellevis FG, van der Windt DA, Kneepkens CM, van der Horst HE. Lactose malabsorption and intolerance: a systematic review on the diagnostic value of gastrointestinal symptoms and self-reported milk intolerance. QJM. 2010;103(8):555-72.
- Vernia P, Marinaro V, Argnani F, Di Camillo M, Caprilli R. Self-reported milk intolerance in irritable bowel syndrome: what should we believe? Clin Nutr. 2004;23(5):996-1000.


